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Nós... em Castro Laboreiro

27.11.13

Com o amanhecer solarengo é que ganhamos a noção de onde estamos. Castro Laboreiro é uma pequena e pacata vilazinha do interior de Portugal. A sua dimensão passa bem por aldeia. O castelo domina a paisagem, mas já lá iremos.

Para quem gosta de andar colado ao telemóvel não se deixe enganar pela antena à direita na fotografia. A TMN está em força na sua cobertura 2G (esqueçam o 3G ou o 4G). A Optimus tem uma cobertura reduzida e instável. Já a Vodafone está completamente ausente, a menos que se liguem em roaming com a Vodafone espanhola, que tem uma cobertura um pouco inferior à Optimus. Estamos portanto, onde Judas perdeu as botas.

A electricidade chegou à região nos anos 70, enquanto que nos anos 80 a melhoria da rede viária levou os jovens embora. Apenas os idosos, as vacas e as ovelhas sobraram.

Os homens foram trabalhar para fora, para províncias próximas, e durante o Estado-Novo emigraram para França. Quem se passeia pela vila verifica que as poucas pessoas que circulam na rua são mulheres idosas vestidas de negro.

Os cães são um marco para esta terra de onde é originária a reconhecida raça portuguesa do Cão de Castro Laboreiro. Dócil e fiel ao dono ajudam com o gado e a protege-lo dos lobos das montanhas.

Em Castro Laboreiro come-se muito bem. Da gastronomia local destacam-se o Cabrito Serrano e o Bacalhau com broa. A par destes pratos, o melhor churrasco que já comi foi mesmo aqui!

A vila localiza-se num planalto com o mesmo nome, no meio da serra, dentro do Parque Natural Peneda-Gerês. Confronta a Galiza a norte e nascente. O povo castrejo, de raça celta, depois do seu nomadismo durante milhares de anos nos planaltos, vivendo da caça e da pesca, e depois do pastoreio, fixou-se nos outeiros para ali viver em comunidade e se defender das tribos invasoras, desde quinhentos anos antes de Cristo até ao século VI da era cristã. Daqui se estabelece uma longa linha de horizonte com a vizinha Espanha, donde viemos através da estrada da Ameijoeira.

Há uma antiga tradição que ainda é mantida por cerca de quarenta pessoas. Estas mudam de casa e de lugar conforme as estações do ano: para as brandas ou para as inverneiras. É um ciclo que se repete há milhares de anos.

As brandas, nos lugares mais altos, são mais agradáveis e produtivas na época do calor, servindo aos animais também melhores oportunidades de alimentação — é assim uma espécie de casa comum de veraneio da população e gados da freguesia e de visitantes vindos de fora.

As inverneiras, nas zonas mais baixas, servem de refúgio ao frio e estão localizadas nos vales da freguesia.

Não possui qualquer agência bancária nem estação de correios ou supermercado, nem sequer um posto de abastecimento. A estação de correios fechou recentemente na remodelação dos CTT cabendo à Junta de Freguesia assegurar um Posto de Correios. Existe um minimercado para o essencial e para comprar combustível só na freguesia vizinha em Lamas de Mouro. Para encontrarem a generalidade dos serviços terão de percorrer vinte e cinco quilómetros até Melgaço. Ninguém diria que esta terra já teve tribunal, paços do concelho e cadeia.

Quem contribui bastante para a beleza paisagística de Castro Laboreiro é o seu rio. O rio Laboreiro serpenteia a serra, passando por pontes que as várias civilizações que por aqui passaram foram construindo ao longo dos tempos. Pontes romanas e românicas, da época da ocupação romana: a da Cava da Velha (monumento nacional); e românicas, do século XII, como a de Dorna, da Assoreira ou da Capela, de Varziela, das Cainheiras, da Vila, do Rodeiro, das Veigas e dos Portos (estilo celta).

A igreja foi primitivamente vigairaria da matriz de Ponte de Lima, depois abadia do bispo de Tui, que D. João Fernandes de Sotto Maior trocou, em 1308, com o rei D. Dinis. No campo da monumentalidade construída, merecem finalmente destaque o pelourinho, de 1560, que é monumento nacional, e a igreja matriz, imóvel de interesse público, que foi construída primitivamente no século XII, em estilo românico.

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Publicado às 01:50


5 comentários

De Alice Alfazema a 27.11.2013 às 08:53

Belíssima reportagem, belas paisagens, um belo local para visitar. Mesmo com este frio acho que me sentava aí nesses bancos junto ao rio. :)

De Daniel Marques a 10.12.2013 às 18:37

Imagine-se então aquela paisagem de branco!
Obrigado pelo comentário.

De Isa a 27.11.2013 às 13:10

Castro Laboreiro, sitio mais liiiiindo!! Deixei lá uns assuntos "inacabados" em 2008 e o regresso está para muito breve. Adorei o post :D

De Isa a 27.11.2013 às 13:11

2009, digo :)

De Daniel Marques a 10.12.2013 às 18:40

Depois irei coscovelhar o teu cantinho para ver esse regresso!

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