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Uma viagem ao Magrebe

03.11.13

O verdadeiro teletransportador para a arábia ocidental é o chá verde com menta/hortelã. Eu andava à procura de uma bebida que me satisfizesse para os serões nocturnos invernis debaixo da manta. Teria de ser uma alternativa ao café para não espantar a serenidade da busca do sono, como que um intensificador da sensação de acolhimento que uma cama, uma manta no sofá, nos pode dar ao som da chuva, da bruma no exterior que forma gotículas nas folhas das árvores ecoando os seus pingos, ou simplesmente da temperatura mais agreste.

Tinha de ser uma bebida que contribuísse para o relaxamento e não para a energia. Não poderia por isso nem ser excitante nem excessivamente doce, daí que o chocolate quente fosse preferível para os serões da tarde.

Foi assim que cheguei à bebida tipicamente árabe, nascendo o meu harém, num sofá, com a manta e o comando do televisor, com os pés em Marraquexe ou em Casablanca. Estava pronto para horas de ficção americana, com mortos-vivos à mistura, praias do Havai, tiros e bombas, ou simples comédia.

O chá magrebino deve ser tomando com grande calma, servido num bule de prata, em copos pequenos, coloridos e decorados. Não há formalismos, mas há uma boa-educação extrema, falta de pressa, serenidade. A bebida é quente e ao mesmo tempo refrescante. Há quem lhe chame o whisky marroquino.

A água não deverá ferver e as folhas se forem frescas darão um aroma mais intenso. Deve ser servido já com açúcar, com o bule erguido no ar fazendo movimentos enquanto se enche os copos de modo a criar espuma. Quanto mais distante do copo mais espuma terá e mais requinte e sofisticação criará. Tradicionalmente deverá ser o homem a servir o chá, sendo culturalmente não só insultuoso a recusa de o tomar, como será ofensivo não beber no mínimo dois copinhos.

Se querem ser hospitaleiros eis a bebida ideal de ser servida. É sublime, e a sua preparação dá pouco trabalho mas deverá ser demorada, pois o tempo e a hospitalidade deverão ter uma ligação profunda.

Para mim, foi como descobrir uma nova categoria de bebida que nunca deixarei de beber.

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Publicado às 09:22