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No hospital psiquiátrico

15.09.13

Íamos com um propósito muito bem definido. Encontrar uma cache que nos andava na cabeça há já uns meses. Estou a falar do antigo Hospital Psiquiátrico de Paredes de Coura.

Era difícil esconder a empolgação daquela que prometia ser uma experiência brutal. Apesar de tudo, gostaria que tivéssemos ido com um grupo maior, e talvez de noite de modo a intensificar o ambiente sombrio e os sentidos, apesar de não ser recomendável aceder ao local de noite.

Ainda antes de irmos para perto da Nossa Sra. Da Pena e de pularmos o muro de pedra para chegar ao jardim, já nos alertavam em Paredes de Coura que se ouviam vozes naquele local e que poderia ser frequentado por fantasmas.

O hospital encontra-se desactivado desde 2002 e com o portão principal trancado a cadeado desde 2007. Quem anda pelas instalações abandonadas sente-se como se estivesse num hospital abandonado à pressa, ainda com mobiliário e roupas e calçado espalhados, para além de fichas de doentes ainda dentro de gavetas.

A administração do Centro Hospitalar do Alto Minho debate-se com um processo burocrático com vista a legalizar a posse daquele imóvel para posteriormente proceder à sua venda. O imóvel conta com dois andares e cave, mais edifícios anexos, como o da lavandaria.

Há poucos anos foi denunciada a existência de um extenso arquivo documental referente ao antigo hospital psiquiátrico, reforçando a ideia de que o hospital foi abandonado à pressa, como se tivesse passado por uma guerra ou por uma ameaça química ou nuclear.

Quem visita o local – como os geocachers – facilmente consegue perceber onde era a cozinha, o refeitório, o internamento, a capela, a lavandaria, o guichet de atendimento, etc. As memórias continuam a habitar este lugar, destruídas à medida que o vandalismo vai ocupando o espaço.

O que nos move a estes locais é o interesse, a curiosidade, o sentimento de fascínio, respeito, receio, atracção e de aventura. A intensidade foi tal que mal chegámos, parecia ouvirmos alguém a escrever à máquina no piso superior, e mais não era do que água das recentes chuvas, infiltrada no tecto, a cair no chão de madeira.

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Publicado às 21:17


3 comentários

De golimix a 17.09.2013 às 17:34

O que me chamou a atenção foi a palavra "cache". cá em casa somos uns caçadores de caches! =)

Mas no decorrer do post vi que não se tratava só disso. O que mais me impressionou foi dizer que as fichas clínicas dos doentes ainda estão nas gavetas!!!

De Daniel Marques a 18.09.2013 às 03:44

Já esteve bem pior, mas como houve uma denúncia do Jornal de Notícias sobre esse facto, muita da papelada já foi removida. Cheguei a encontrar uma ficha de um doente, do ano 1981, referente ao Hospital Psiquiátrico da Gelfa / Vila Praia de Âncora, hospital esse que reabriu na semana passada como Unidade de Cuidados Continuados.

De Maria a 28.09.2013 às 16:30

As imagens estão muito boas. Se não tivesse escrito nada diria o mesmo ao vê-las. Dão a ideia de abandono rápido, de fugida, isso mesmo à pressa. Os pormenores, tais como os casacos no armário, nas costas da cadeira...o lençol na cama...
Um espaço vazio de cheio. Ao olhar, transmite muito.

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