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Elefante branco transmontano

31.03.13

Vou falar-vos do elefante branco transmontano, mas elefantes como este existem um pouco por todo o rectângulo.

Existe um TMDA (Tráfego Médio Diário Anual) mínimo que justifique a construção de acessibilidades com perfil de auto-estrada. Esse mínimo requer 10 mil veículos de TMDA. Acontece que a larga maioria das auto-estradas não está sequer a atingir esse mínimo, agravado agora com o aumento de troços portajados. São longos troços, alguns deles com quatro faixas em cada sentido, em que quase dá para jogar à bola ou aterrar aviões.

Mas voltando ao caso transmontano, defendia-se uma alternativa ao Túnel do Marão. Foi proposto usar o IC26 efectuando-se um entroncamento na A24, não concorrendo directamente com o IP4, evitando-se assim que se escavasse um túnel de quase seis quilómetros. A diferença entre a solução do túnel e a alternativa proposta que segue pelo Douro, e que contornaria o Marão a sul, seriam de apenas sete quilómetros. Já para não falar na monumental diferença no que aos orçamentos diz respeito.

Falou-se ainda numa terceira opção, que passava pelo alargamento do IP4, itinerário que entre Amarante e Vila Real sofreu intervenções que o tornaram mais seguro, nomeadamente com a melhoria do piso e com restrições de ultrapassagem nas zonas mais complicadas.

Ora, focando-me em Vila Real, tendo no futuro um Túnel do Marão portajado e paralelamente um IP4 como alternativa gratuita bastante razoável e que sofre melhorias, que TMDA terá esse troço da A4? O estudo encomendado para justificar a megalomania refere que na abertura seriam uns onze mil veículos, mas que em 2038 andaríamos nuns inacreditáveis 43.344 veículos. Pode uma coisa destas?

Falemos pois então de Bragança. A novíssima ligação a Quintanilha e que ainda não possui portagens, em Janeiro atingiu uns ridículos 959 veículos por dia. O Governo espanhol ao aperceber-se destes números cancelou de imediato o prolongamento da auto-estrada entre Zamora e a nossa fronteira.

Por muitas voltas que nos queiram dar, o que justifica a crise e a agrava também é o alimentar destes buracos negros. É o favorecimento dos lóbis da construção megalómana que absorvem milhões aos contribuintes, em detrimento de soluções equilibradas e racionais que resolvam os problemas das pessoas. É a mentalidade pequena a pensar no «maior túnel da Península Ibérica».

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Publicado às 23:00