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Regresso a Braga

20.03.13

Este foi o dia em que ficou decidido deixarmo-nos ficar na cama até às últimas. É certo que conheço a cidade de Bragança, mas o entusiasmo de ir descobrir mais umas caixinhas chegava mesmo a pôr-me de pé com a maior das facilidades enquanto a Irene mostrava a maior das preguiças. Não é para menos. Temos batido terreno como nunca antes. Apanharmos apenas com um dia chuvoso contribuiu para isso.

A manhã revelou-se com o sol a querer mostrar-se e com as nuvens tendencialmente a desaparecerem. A manhã só acinzentou quando demos de caras com o António José Seguro – secretário-geral do PS – a tomar o pequeno-almoço aquando nós. Não havia como evitar a presença do homem porque naquela sala só estávamos nós, ele e os seus capangas. O nosso estágio de políticos foragidos no pacato nordeste do país já tinha começado no dia anterior no Pingo Doce de Mirandela, com o ex-Ministro das Finanças – Teixeira dos Santos – a fazer-se andar com uma roupa que o descaracterizava por completo. A Irene e eu olhámo-nos com um valente ponto de interrogação na cabeça. O que fazia ali o homem? No dia a seguir, levamos com o Seguro no mesmo hotel que nós.

Com a Irene a passar-se e a dizer «ele que não me venha cumprimentar senão salta-me a tampa», a mim só me coube fazer um esforço para não desatar a rir e quebrar aquela música lounge que nos fazia companhia todas as manhãs. Enquanto isso, na zona do bar, os membros da comitiva entusiasmavam-se com a emissão da SIC Notícias. Tratava-se de mais uma vaia ao Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.

Após o abandono da Pousada de São Bartolomeu lidámos com um vento gélido. Bom, pelo menos não chovia, o que nos permitiu fazer umas caches de Bragança que nos faltavam. Ainda assim, não as fizemos todas. Como o vento era desagradável acabámos por sair de Bragança mais cedo com o intuito de almoçar pelo caminho. Com a decisão tomada de comer fora das vilas e cidades, procurávamos pelo caminho um restaurante regional. Depois de Vinhais encontrámos um que tinha bom aspecto, mas estava encerrado. Depois… Bom, depois veio o pior. Não nos apareceu nada mais entre Vinhais e Chaves e eu já desesperava. A Irene diz que a fome me motivava a conduzir como um maluco e até em lojas de móveis eu dava o pisca a julgar que se tratava de um restaurante. Depois de encarnar o bicho-da-madeira e cheio de dar motivos para que a menina fizesse pouco de mim, ela lembrou-se de que passámos por um Mac Donalds em Chaves, e que pelo menos aí serviam refeições a qualquer hora. É que o ponteiro já passava das três horas. E não é que até esse se encontrava encerrado devido a obras?

Com as coisas a correrem mal para o meu lado, o nome de um restaurante tinha-me ficado na cabeça. Chama-se O Moinho e fica já fora de Chaves. Dei por ele como quem vem de Boticas em direcção a Chaves. Se há região onde não será adequado comer fast-food essa região é Trás-os-Montes (e o Alentejo!). A minha esperança direccionava-se agora no regresso para aquele restaurante junto àqueles moinhos de água no rio Tâmega. Para meu alívio demos com ele aberto. A proprietária diz que prepara refeições a qualquer hora. Diz que tem de estar preparada para quem anda na estrada. Assim, para quem anda de viagem e passa por Chaves, pode estar descansado para comer comida verdadeira mesmo fora das horas habituais.

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Publicado às 10:00


2 comentários

De Bruno Miguel a 20.03.2013 às 14:29

Olá, Daniel.

Tenho acompanhado a vossa viagem através do blog e fiquei cheio de vontade de fazer uma também. Espero é não encontrar nenhum político pelo caminho, ou ainda tenho que parar numa lavagem automática para limpar o sangue do carro.

Daqui a um mês ou dois espero fazer uma viagem parecida com a Mara. Isto se as coisas correrem bem para nós. Recomendas algum local em concreto?

Abraço, Daniel e um beijinho para a Irene.

De Daniel Marques a 20.03.2013 às 18:02

Olá, Bruno!

Sem dúvida que te recomendo o Gerês. É a região do país mais rica em fauna e flora. Tem bastante oferta de alojamento, parques de campismo, etc. Em termos de altitude estamos a falar da segunda serra mais alta de Portugal Continental (ultrapassada apenas pela Serra da Estrela), o que significa que no inverno terás neve. No verão terás imensas actividades ao ar livre possíveis de serem feitas. Para além do mais, estás a cerca de uma hora de Braga, o que te permite, se quiseres, visitar também a cidade. Mas no Gerês estarás repleto de uma imensidão natural que se divide entre o concelho de Terras de Bouro e Montalegre.

A sul recomendo-te a Serra de Sintra que comparativamente ao Gerês é muito menos selvagem e mais requintada (chalés, palacetes, jardins luxuosos...) e tens praia.

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