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O polícia-bombeiro

20.12.12

Hoje, na estrada, sofri uma colisão provocada por quem me seguia atrás. O trânsito em Braga apresentava-se caótico, somando-se ao facto de se tratar de horário de saída dos empregos, acrescente-se a loucura da corrida aos centros comerciais e o asfalto encontrar-se escorregadio. Isso não invalida nem desculpa as loucuras que pude assistir enquanto eu e o outro condutor aguardávamos pelas autoridades. Provavelmente era isso mesmo que faltava naquele local, a autoridade.

É certo que o local onde se deu a colisão se encontrava em território da PSP, no entanto, a GNR fora da sua área territorial não deixa de ter obrigações. E heis que passado uma hora de espera, passa por nós uma viatura da GNR que gentilmente se dignou a mudar para a faixa mais afastada do local da colisão, de modo a passar despercebida. Não teria tocado neste ponto, se passados quinze minutos não tivesse vindo o bom exemplo da mesma força de segurança. Duas viaturas da GNR com três militares desta força deram a alguma distância pelo sucedido, ligando as luzes, passando por entre o caos, chegando até nós, e com cordialidade se dirigiram a nós iniciando o discurso com a interrogação se haveria feridos. Com a resposta negativa, perguntaram se precisávamos que se chamasse a PSP, aconselhando-nos sobre como manter o local o mais seguro possível. Nisto se despediram, e retiraram-se do local. Era tão só isto que os primeiros elementos que vimos passar deviam ter feito. E serve de exemplo de como em tudo, encontramos todo o tipo de pessoas, diferentes disponibilidades e profissionalismos.

Quando a viatura da PSP chegou ao local – passadas duas incríveis horas de demora – deparamo-nos com um agente com um ar cansado e abatido, e, sozinho! Cumprimentei-o antes de ele se dignar a fazê-lo. Não levei a mal pois o seu ar dizia tudo sobre como lhe estava a correr o serviço. Verificou o estado das nossas viaturas e virou-se para ambos os condutores, pedindo encarecidamente para que nos entendêssemos e déssemos lugar às participações amigáveis. Fiquei surpreendido. E continuou, justificando-se que naquele momento se via com quinze acidentes para resolver, e que mal conseguia dar despacho a dois autos por dia, quanto mais a quinze, e que levando a nossa à avante a resolução poderia levar anos.

Aquele homem, que representa a autoridade do nosso país, pediu-nos educadamente que não lhe déssemos trabalho porque não tinha como dar vazão ao que já tinha, demonstrando a falta de meios e efectivos na polícia do terceiro maior pólo urbano do país. Posto isto, o que fazer quando solicitamos a colaboração da autoridade, e esta nos aparece em vitimização e de cabeça baixa? Aquele agente da autoridade anda a fazer o papel do bombeiro de serviço. Basicamente, nos quinze casos simultâneos que tinha por resolver, iria tentar mediar de modo a terminar o seu turno com o menor número de autos possíveis, porque certamente a hierarquia superior assim o pressiona, e porque quem governa o país não demonstra ter intenções de alterar as condições de trabalho de quem profissionalmente faz por manter a ordem, infelizmente, sem dignidade.

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Publicado às 02:44