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Para onde está a ir o dinheiro

20.10.12

No Jornal de Negócios a 11 de Março de 2009:

Joaquim Oliveira, proprietário da Controlinveste, um dos maiores grupos de comunicação social do país, vai ter mais três anos de período de carência no empréstimo de cerca de 300 milhões de euros contraído junto do Banco Comercial Português (BCP), noticia hoje o “Público”.

O acordo com a gestão do BCP, liderada por Carlos Santos Ferreira, foi concluído nos últimos dias. O banco aceitou alargar o período de carência da dívida até 2012 - neste período o empresário paga juros, mas não amortiza capital, refere o jornal.

O empresário financiou-se, em 2006, junto da instituição financeira, para adquirir o grupo de comunicação social Lusomundo. A Controlinveste possui ainda a SporTV em parceria com a Zon.

[…] Joaquim Oliveira pediu emprestados ao Banco Comercial Português cerca de 300 milhões de euros, tendo ficado acordado um período de carência até 2009, num processo de pagamento do crédito de longo prazo.

Neste momento, a quantos não é recusado dinheiro para comprar uma casa, e até a pressão psicológica que se exerce sobre as pessoas enterradas em dívidas. No entanto, 300 milhões de euros arranja-se logo para esta gente sem que seja exigida qualquer liquidação.

Chegado o fim do período de carência da dívida, eis que surge nova notícia, mais uma vez pela mão do Público, a 18 de Outubro de 2012:

O empresário Joaquim Oliveira está em negociações para vender a Controlinveste a um grupo angolano com quem já acordou o negócio […]

[…]

O nome do investidor em causa não é conhecido, nem o montante envolvido na operação. A TSF avançou ter sido assinado “há vários meses” um acordo com um grupo angolano (que também não identificou), estando por concretizar a mudança de propriedade.

A obscuridade prevalece nos negócios. E existe dinheiro fácil para os poderosos. Mas quem anda a pagar a crise do financiamento?

No Jornal de Negócios a 15 de Setembro de 2011:

A Caixa Geral Depósitos (CGD) registou um “buraco” de cerca de 300 milhões de euros, resultante dos financiamentos dados à fundação de Joe Berardo e a empresas ligadas ao investidor, avança hoje o "Público".

[…]

Segundo o “Público”, Joe Berardo acumula uma dívida de 360 milhões de euros ao banco do Estado, e de acordo com os documentos o valor em risco é de aproximadamente 300 milhões de euros, uma vez que as garantias reais entregues pelo empresário são avaliadas em 60 milhões de euros.

No total, estima-se que as dívidas de Joe Berardo à banca portuguesa ascendam a, aproximadamente, mil milhões de euros.

E o BPN? Onde os contribuintes portugueses enterraram mais de 5 mil milhões de euros, mas que este Governo vendeu por 40 milhões de euros aos angolanos.

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Publicado às 17:28


5 comentários

De P a 26.10.2012 às 10:22

 "Para os amigos, o fresquinho!"

De P a 26.10.2012 às 10:30

Marques Mendes na TVI, dava como exemplo de mordomias EXTRAORDINÁRIAS, FANTÁSTICAS, e outros adjectivos do mesmo grau, e uma das razões dos deficits nas empresas de transportes, segundo ele, seria o facto de os familiares dos funcionários da CP terem o direito a viajar gratuitamente. Familiares com esse direito - esposas, filhos, pais e uma irmã solteira. Esta irmã solteira então, quase o levou à apoplexia. Como se estas pessoas, se não fosse esta gratuitidade, passassem a viajar pagando e isso tornasse rentável a CP. Outro dos exemplos de despesismo e mordomia era o facto da Carris ter um barbeiro para os seus funcionários. Isto no país mais desigual da UE a seguir à Letónia e no topo de desigualdade entre os países da OCDE e onde é público e notório o saque do OE pelas elites o que indigna este personagem são as irmãs solteiras que viajam de borla e um barbeiro!

De Daniel Marques a 26.10.2012 às 13:38

No meu local de trabalho há iluminação excessiva. Muitas luzes, focos, lâmpadas ligadas. Onde se foi cortar? No sabonete líquido! Vai para três semanas que não se repõe o sabonete aos funcionários. Hoje vou levar um de casa e guardá-lo no meu cacifo. Esta era a nossa mordomia.

De P a 26.10.2012 às 10:33

« ... Num único dia de Dezembro passado, o BCE disponibilizou 500mil milhões para os Bancos europeus. Isto é mais do que foi emprestado à Grécia, à Irlanda e a Portugal em dois anos. Num único dia de Março, o BCE decidiu reforçar a dose e os Bancos não se fizeram rogados: de assentada, tomaram mais 500mil milhões./.../ O juro era de UM por cento. Aos países pedem-se juros cinco vezes maiores, e mais./.../ o BCE esforça-se por deixar claro que aqueles empréstimos são sem condições, que os prazos de pagamento foram triplicados e que para os obter qualquer garantia serve...»
In Público de 7/03/2012.

De Maria a 26.10.2012 às 15:07


"Neste momento, a quantos não é recusado dinheiro para comprar uma casa, e até a pressão psicológica que se exerce sobre as pessoas enterradas em dívidas. No entanto, 300 milhões de euros arranja-se logo para esta gente sem que seja exigida qualquer liquidação."

E ando eu preocupada em cumprir os meus compromissos bancários. Mas o que eu mais desejava era liquidá-los e não querer mais com estes oportunistas. Uma casa a pagar em 20 anos em que os juros foram mais que altos. Só agora é que se vê o efeito da amortização.
Sacanas.
Mas nós deixamos que isto tivesse acontecido. Notava-se uma riqueza excessiva.
Enim, os tempos que quisemos.

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