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Brandos e conformados

14.09.12

Já há muito tempo que tento escrever algo sobre política. Tento e fico exausto logo de início. Ao que isto chegou, ser deveras insuportável tocar neste assunto, e refiro-me ao estado em que este país chegou, que há anos se previra mas que ninguém acreditou que decorresse num momento tão próximo, adiando-se mentalmente para mais tarde e distante.

 

Aqui estamos nós, a saque, em que nos metem a mão ao bolso, e nós enquanto povo, tristes e conformados. Como é que nós, com tantas histórias para contar de aventureirismo, de afoitamento e coragem, chegámos a um conformismo de tal forma generalizado, que chega até a ser ridículo?

 

Quais são as nossas armas? Nas próximas eleições votar nos outros, que se lá estivessem faziam o mesmo? O melhor que sabemos fazer é lançar uns apupos na rua? Abaixo-assinados e petições? Agitar cartazes em manifestações que mais não servem que para desabafo do povo sem consequências, dando até mais tempo para que estas políticas continuem sem sobressaltos? Sim, porque as manifestações para isso têm servido!

 

Este Governo tem a sorte de governar o país que governa. Discursa, e oportunamente, segue-se o jogo de futebol da Selecção Nacional.

 

Há pouco na RTP, assistia à entrevista do primeiro-ministro. Após a primeira pergunta, avança com um «antes de lhe responder, devo aproveitar esta oportunidade para...» que prima por se ficar a saber de início, que era uma perda de tempo assistir aquilo.

 

Desliguem as máquinas. E que o velório não dure muito tempo!

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Publicado às 00:50


4 comentários

De P a 26.10.2012 às 10:37

Há uns anos (creio que em 2008/9) leio na PRIMEIRA pág. de um diário, como título principal - « Atraso português deve-se a baixas qualificações dos trabalhadores.» Poucos dias depois num semanário económico ( ou num destacável sobre economia - não lembro exactamente) leio nas pág. INTERIORES numa caixinha pequenina que estudo de organismo estrangeiro que não lembro, conclui que o atraso português se deve à pouca qualidade das elites económicas portuguesas. Para apoucar as classes populares as páginas principais e em destaque, quando a notícia denigre as elites a maior discrição possível.

De Daniel Marques a 26.10.2012 às 13:56

Os interesses vão levar ao silêncio da comunicação social. Esse é o meu maior receio. Estamos a passar de cavalo para burro.

De blackened a 26.10.2012 às 17:14


Boa tarde.
Bem, um dos seus posts apareceu recortado na homepage do sapo, e aqui estou eu, já pronta para o colocar na minha lista de blogistas a seguir, depois de um passeio pelo seu blog.
Decidi que este post seria o ideal para lhe daria sinais da minha existência.
Com os meus meros 17 anos, vejo isto tudo a passar-se. Vejo a minha geração a ser espezinhada e a deixar-se espezinhar. E eu, com tantas espectativas para o futuro, tanta vontade de crescer e ser aquilo que quero ser, a ver-me sozinha e abandonada. Sinto-me abafada pela conformismo e pela ignorância. As pessoas não sabem, não querem saber e não querem que os outros saibam. Se ao menos olhássemos para os islandeses como um exemplo de uma sociedade informada e confiante de si mesma, mas não... As pessoas olham para eles (pelo menos, as que já conhecem o caso, visto que a maior parte baseia o seu conhecimento nos média de massas) como extraterrestres, como algo que está bem longe, como coisa que por cá nunca há-de acontecer. "Corruptos na prisão? Ah, deve ser isso!"Quando sairem estes do Governo, tal como o senhor escreveu, vêm outros fazer o mesmo. Parece que aqueles que têm a função de servir um país, não estão lá interessados em fazê-lo. Não vejo nenhum deles disposto a lutar contra o sistema altamente corrompido, mas mais a manter-se dentro dele.
Estou a recordar-me de uma espécie de assembleia que decorreu na cidade onde estudo, entre deputados de direita e esquerda e os estudantes da zona, no ano passado. Senti necessidade de intervir na altura do debate que se relacionava com a suposta educação de qualidade a que tinhamos acesso. Questionei os deputados presentes se realmente achavam que estávamos a ser bem preparados para o mundo real, visto que cerca de 30% e em certos casos 50% da nossa nota de candidatura ao ensino superior é influenciada por exames, exames esses que incentivam uma memorização massiva de conteúdos, em vez da compreensão dos mesmos, e que quase se sobrepõem ao trabalho de 3 anos (às vezes mais) consecutivos. Sinto que o programa em certas disciplinas não dá margem para o pensamento próprio. Sinto que os próprios professores incentivam o facilitismo. Sinto que quanto mais estudamos, mais burros ficamos, porque entre o "saber estudar" e o "saber" há diferenças. São coisas que se deviam complementar no nosso sistema educacional, que mais serve para estudarmos para exames e não propriamente para nos formarmos enquanto profissionais e cidadãos. Dei até o exemplo de uma entrevista que havia visto na net, em que estudantes universitários não sabiam responder a perguntas simples de cultura geral, alguns até se justificando estupidamente com o facto da pergunta não se relacionar com área de estudo deles. Ao que parece, ofendi os excelentíssimos deputados, que em vez de responderem decentemente à minha pergunta, limitaram-se a contradizer (mas não contra-argumentar) o que lhes havia dito, acrescentando que se os alunos não sabem, é porque não se interessam (quando pouco antes, haviam dito que a escola tinha a função de motivar o pensamento próprio, o "saber mais" e tinha a função de formar o aluno, não só a nível profissional, mas a todos os níveis). Pus-me, então, a pensar: Bem, se os nossos próprios deputados têm este tipo de atitude e mentalidade, atirando as culpas para cima das pessoas, quando elas se demonstram insatisfeitas e cépticas, estamos todos feitos ao bife. Estamos todos por nossa conta, portanto.


Senti a necessidade de escrever esta espécie de desabafo ao ler o seu texto e ao me ter idenficado com ele. Estou mais que disposta a lutar por um Portugal livre, motivado, confiante e conhecedor. Mas não vejo muita gente com a mesma vontade de revolta que eu. E é uma pena.

De Daniel Marques a 27.10.2012 às 13:01

O teu comentário dava um post!
Obrigado pelo testemunho.

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